A geometria espacial aplicada no desenho prático: parte 1
APRESENTAÇÃO
No decorrer de todos esses anos desenhando, notei que meu
cérebro veio sendo treinado a enxergar
imediatamente após o primeiro contato visual com os objetos à minha volta, os
mesmos dissecados, decompostos; ver as formas mais sintetizadas que compunham
aquele corpo, como num mapa vemos as divisões espaciais que compõem os estados
em um país, por exemplo; e ainda acima disso, o formato desse mesmo país. (ver fig.1)
Já
levando isso em consideração, aprendi a aceitar que desenho nada mais é que um
jogo simples de memória, projeção visual, e literalmente falando, decalque, onde a imagem-referência (ou referência imagética) é
“projetada” na mídia (papel, parede, etc), e como citado acima, o cérebro faz a
decomposição geométrica da forma, para logo depois reconstruir esta mesma
imagem - ou, nesse ponto “figura” - de uma forma mais rápida e com menos
chances de desproporções – a mão faz um suporte à memória de curta duração
(STM, abreviando-se do inglês Short Time
Memory) passando somente e rapidamente aquilo que se pretende desenhar, mas
ainda apenas representado em simples e complexas formas geométricas.
Assim temos:
Observação (da
referência física ou não) > Síntese
ocular (ou desconstrução da imagem) >
Projeção > Reprodução (da imagem desconstruída na mídia – formas simples) > Lapidação > Artefinalização >
Colorização.
Em seguida a memória de longa duração (STM em inglês, na
tradução livre) entra em campo e faz sua parte: caçando nos “arquivos da mente”
o que precisa para a lapidação do esboço geométrico (ou síntese), o resultado
de todo o avanço até aqui. É válido lembrar que uma referência imagética pode
poupar ou auxiliar o trabalho da LTM nessa etapa do desenho.
A lapidação, como chamo esta parte do processo, é para mim a
fase onde toda a mágica acontece. Onde vemos o quão esplêndida e perfeita é a
natureza das coisas. Ao ver, na maioria das vezes, o perfeito e harmonioso
encaixe das formas decompostas com aquilo construído por ela. Por necessidade e
vontade de compartilhar para que todos
os realmente interessados possam também contemplar aquilo que por muito tempo
não enxergamos, que resolvi escrever este livro. Com isso talvez, passo a
entender à nível do providência , o porquê de tanta dificuldade na infância
graças à uma forte miopia por treze anos não diagnosticada: para que então eu
pudesse desenvolver minha própria , mas adaptada forma de enxergar o mundo à
minha volta e graças a este aqui, partilhar isto com o mundo.
Em resumo do que foi dito até aqui, temos o seguinte:
Obs.: Palavras sublinhadas indicam definição do termo num
subtópico seguinte.
Projeção visual: Projeção mental que o cérebro num golpe de vista faz num papel ou
superfície, tal como fosse um retroprojetor estampando “em forma de luz” uma figura
no papel e permitindo ao artista saber exatamente o que vai e fazer, mesmo que
despretensiosamente.
.
Figura: Forma; imagem; o que está sendo desenhado e conseguintemente o
resultado final do desenho;
Decalque : Método de cópia imagética
que consiste na sobreposição de imagens com o auxílio de uma mídia
transparente, onde recontorna-se numa
mídia virgem a silhueta da imagem por baixo, criando assim um novo desenho.
2.2. Imagética: Que representa ou
advém de uma imagem;
2.3. Mídia: Papel ou qualquer
superfície que receberá um desenho.
3. Imagem- referência ou Referência Imagética: Representação
ou guia referencial daquilo que se vai desenhar ou algo primitivo a essa mesmo
objeto de desenho. Pode ser:
3.1
Física: Fotografia, paisagem morta, modelo vivo, modelagem e coisas do
gênero usadas para uma representação mais fiel da imagem final. A referência
imagética física (RIF) pode ser:
3.1.1. Fiel ou figurativa: Quando a referência é exatamente o
que se vai desenhar, seja ela realista ou não.
3.1.2. Primitiva: Quando a referência serve apenas de base para
o que se vai desenhar, seja realista ou não;
Exemplo: Pegar a
fotografia de um leão para desenhar um grifo; ou ainda a modelagem de um
dinossauro para desenhar um dragão.
4. Memória de Curta Duração (STM): Do inglês Short Time Memory é o que muitos
conhecem como memória flash. De fácil
acesso, é usada para armazenamento de fatos não tão importantes, coisas do dia-a-dia,
como o que você tomou no café da manhã de hoje ou que você tem que abastecer o
carro, por exemplo; provavelmente você não se lembrará daqui a uma semana, mas
são informações fáceis de lembrar, para ser mais simples.
5. Memória de Longa Duração (LTM): Também do inglês, quer dizer
Long Time Memory e é utilizada para
informações importantes e que por vezes tornam-se instintivas. Quer um exemplo?
A data do seu aniversário, aprender a ler, que não se deve encostar num fio
desencapado ou mesmo que o cãozinho da sua namorada não vai com sua cara. De
difícil acesso, a LTM por vezes nos foge à memória, por isso é sempre
importante sempre visitarmos alguns desses “arquivos escondidos”, o que só é
possível exercitando-se a leitura, desenho observação.
1. A referência:
pode ser imagética ou mental (essa última, guardada na LTM);
2. Em caso de
utilizar-se de referência imagética, acionamos a LTM. A memória fica guardada entre o tempo de observação até
poucos segundos após começar a esboçar. Necessitando aí, de um novo golpe de
vista na imagem referência;
3. A projeção: É
feita pela mente. Nessa fase apresso-me em passar a síntese geométrica pro
papel.
4. A reprodução: Procuro
não por pressão na mão, tendo em vista que tudo o que será feito nessa fase
será apagado posteriormente. Não deve-se dar tanta importância à perfeição das
formas na hora de passar pra mídia. Rabiscos, rascunhos e linhas-guia são
aceitos e bem-vindos aqui.
5. A arte finalização
ou definição final da forma: Consiste
na preparação do desenho para a colorização ou sombreamento. O exercício destas
etapas juntas e ordenadas, faz com que
seja maior o “catálogo” de formas e imagens na LTM, o que na minha opinião,
modela a versatilidade do artista. Aqui também podemos observar um loop no
processo, tendo em vista que o primeiro item, pode começar com a consulta à
mesma LTM.
Por hoje é isso. Continuamos no próximo post! Tem alguma opinião ou consideração para incluirmos no texto? Opine aqui nos comentários! Ainda estou aprendendo muita coisa em relação à didática. O maior desafio está sendo deixar-me entender... saber como falar com o leitor, então se a leitura ou os termos estiverem de difícil compreensão, ME AVISEM! Obrigado (:

![[História] Tatuagem Polinésia](http://imgur.com/IZ13gTu.jpg)











Show de bola man! Aguardando o próximo post ja! hahaha
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